11/01/12

POETAS MEUS AMIGOS -159



A ouvir - poesia de Nuno Dempster:
Programa radiofónico dedicado à sua poesia:
http://campus.usal.es/~radiouni/sites/default/files/portugues19ctubre.mp3
(informação de Soledade Santos no FBook)

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04/01/12

Di Versos -revista de Poesia e Tradução



Acaba de sair o nº 16 desta revista, inserindo um dossiê sobre Novos Poetas do Canadá.Insere igualmente outros poetas traduzidos além de outros em língua portuguesa.Com a qualidade de sempre. A editora Sempre em Pé tem página no FaceBook.

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16/12/11

DRUMMOND, O FAZENDEIRO DO AR

Carlos Drummond de Andrade em documentário de Fernando Sabino e David Neves.
Porque o vídeo (realizado em 1972) é relativamente longo, deixo apenas o seu url:
http://www.youtube.com/watch?v=UP66vBqmiNE

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27/09/11

POETAS MEUS AMIGOS -155

 ler



Factos e poesia

Uma coisa são factos, outra a poesia.
Assim Thoreau tentou pôr no mundo ordenação.
Mas quê? Descobriu afinal que nos factos havia,
quanto mais interessantes e mais belos, mas a tradução
da terra ao céu que os porta,
e toda a sua poesia num livro único cabe,
indiscerníveis os factos da beleza.
Seu crivo.
Suscitado por uma leitura de Henry David Thoreau

Aurélio Porto , in Safra do Regresso
Ed.sempre em pé , 2011- www.sempreempe.pt


Nota: O Autor, que publicara antes Flor de um dia, inseriu a seguinte epígrafe:


OTIMISMO
Tenho um leitor /emTessalónica,/e outro em Bad Nauheim./Com isso já faz dois. 
(Günther Eich, in Lange Gedicht)


É minha convicção que vai ter mais que dois...porque o livro o merece.Por isso, o recomendo.

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21/09/11

POETAS MEUS AMIGOS -154



«Seiscentos e cinquenta anos passados,tudo pode mudar-se, se pensarmos que Inês, mais do que Pedro, foi filtrada por tanta gente,tantos corações e tão ocultamente que o mito abre fissuras nas estátuas do mosteiro, Inês  sempre doada e Pedro, que foi príncipe e rei,com gestos obscuros que somente o cronista testemunha em datas e entrelinhas, cauteloso.»[da orelha do livro]
POEMA DE ABERTURA


Posso ver, inclinados sobre Inês,
os vultos que na noite de outro tempo
escreviam com forma e tom diversos,
porque deste futuro não sabiam
o modo e sua cor, nem o ruído
de máquinas velozes a marcar
a urgência da denúncia que me bate
nas têmporas, aviso para a luz
nascente das palavras irreais
do palimpsesto, em cujo pergaminho
os vultos escreviam sem ter dúvidas,
pois nada se mudava nos seus anos.


O livro - uma nova releitura do mito («.A esposa que lavraste em pedra e rito/nunca a tiveste,infante. E o mais é mito...Ivan Junqueira, em A Rainha Arcaica)  - merece uma boa leitura e,por isso, o recomendo vivamente.

Previne o Autor no seu blogue a esquerda da vírgula - http://esquerda-da-virgula.blogspot.com/
(...). Não se deixem levar pelo Dolce Stil Nuovo do título. A sua função não é anunciar amores ideais.O poema de abertura levanta um pouco o véu (...) 

 - publicado por edições sempre em pé,Porto, 2011- www.sempreempe.pt

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23/06/11

O CORAÇÃO DAS TREVAS - de Joseph Conrad

ler


«Conrad, no seu melhor, é um dos grandes autores de todos os tempos e O Coração da Trevas um conto (os contos ingleses, na sua época, eram compridíssimos)cheio de portas por onde entrar e nenhuma para sair, onde se caminha, página a página, no interior de um nevoeiro deslumbrante, construído em torno de Kurtz, criatura que quase não aparece e pouco fala e, no entanto, é o eixo em torno do qual toda a narrativa gira.
Denúncia do colonialismo, texto político, parábola da angústia do homem no tempo, relato da humanidade truncada, etc.,pode bordar-se onde indefinidamente por cima do que Conrad fez.
O que fez me parece é mais simples: julgo que se limitou a escrever o que devia (...) O horror. diz Kurtz, o horror: o horror decerto, e também o mistério, a grandeza, a pequenez, a complexa e maravilhosa condição da nossa sina, dados com uma frieza arrepiante.» - do Prefácio de António Lobo Antunes.
ed.Dom Quixote,2009

E eu concordo. Foi, com toda a certeza, o melhor livro que li, pela 1ªvez, este ano. Fi-lo em Maio passado. E, agora, o recomendo vivamente.

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16/01/11

OS MEUS POETAS - 203

autores


A LUA DE OLHOS AZUIS


De noite, o cabelo das mulheres não se distingue
dos ramos dos salgueiros. Eu caminhava pela berma do ribeiro.
De repente, ouvi cantar. Só então me apercebi da presença
das raparigas.

Perguntei-lhes: «Que canção é essa?».
Responderam-me: «Dos que regressam».
Uma esperava o pai, outra o irmã,
mas a que esperava o noivo era a que mais esperava.

Para eles haviam entrançado coroas e grinaldas,
cortado palmas às palmeiras e apanhado flores de lótus

............................................................[ nas águas.
Abraçadas pelos ombros, cantavam, à vez,
a canção dos que voltam.

Continuei, sozinha, o meu caminho pela margem.
Sentia-m triste mas, ao olhar em volta ,reparei
que,por detrás das altas árvores, a lua se erguia
para, com seus olhos azuis, me guiar os passos.

Pierre Louys - O Sexo de Ler de Bilitis

ed.Relógio d'Água,2010
trad.de Maria Gabriela Llansol

Para saber mais sobre Pierre Louys
http://pt.encydia.com/es/As_can%c3%a7%c3%b5es_de_Bilitis

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27/12/10

LEITURAS - 154

autores

Diálogo entre Sidarta e Govinda, seu amigo

- Sidarta – disse então – ficamos velhos. É pouco provável que nos tornemos a ver sob esta forma da nossa existência. Vejo, meu querido, que encontraste a paz. Confesso que eu não consegui localizá-la. Dize-me mais uma palavra, ó Venerando. Dá-me algo que eu possa levar comigo, alguma coisa que me seja possível entender e assimilar durante a minha jornada. Olha, Sidarta, esse meu caminho é às vezes bastante laborioso e sombrio.


Sidarta permaneceu calado. Limitou-se a fitar o outro com aquele seu sorriso plácido. Govinda cravou os olhos no rosto do amigo. No seu olhar, liam-se angústia, saudade, sofrimento, tanto como contínua busca, contínuo desencontro.
Sidarta percebeu-o e sorriu:
-Acerca-te de mim! – soprou ao ouvido de Govinda. –
Inclina-te mais! Mais ainda. Chega-te para bem perto de mim! E agora me dá um beijo na testa, ó Govinda!
Govinda pasmou-se, mas, atraído por sua grande afeição e por algum pressentimento, obedeceu ao desejo de Sidarta. Achegando-se a ele, imprimiu-lhe os lábios na fronte. E nesse instante aconteceu-lhe qualquer coisa singular. Enquanto os seus pensamentos ainda se detinham nas palavras estranhas, proferidas por Sidarta; enquanto seu espírito se esforçava, relutante e improficuamente, por eliminar o tempo e por representar-se a unidade de Nirvana e Sansara; enquanto no seu íntimo certo desdém pelas opiniões do amigo se debatiam com irrestrita ternura e reverência, deu-se com ele o seguinte fenômeno:
Govinda já não enxergava o semblante de Sidarta, seu companheiro. Em vez dele via outros rostos, inúmeros, toda uma fila, uma torrente de rostos, centenas, milhares, que todos eles apareciam, sumiam e todavia davam a impressão de estar presentes simultaneamente, rostos esses que a cada instante se modificavam e renovavam e, contudo, eram sempre Sidarta. Via a cabeça de um peixe, uma carpa, com a boca semi-aberta em infinita dor, peixe agonizante, de olhos vidrados. Via o rostinho de uma criança recém-nascida, vermelho, enrugado, a ponto de chorar. Via a fisionomia de um assassino, no momento em que varava com a faca o corpo de sua vítima e, ao mesmo tempo, via esse criminoso a ajoelhar-se, algemado, para que o algoz o decapitasse com um só golpe de terçado. Vias os corpos desnudos de homens e mulheres, entrelaçados em posições e embates de desvairado amor. Via cadáveres prostrados, imóveis, gélidos, vazios. Via cabeças de animais, de javalis, crocodilos, elefantes, touros, aves. Via divindades, Krishna , Agni...Via todos esses vultos e rostos ligados entre si por milhares de relações, cada qual a acudir o outro, a amá-lo, a odiá-lo, a destruí-lo, a pari-lo de novo. Cada qual expressava o desejo de morrer, era apaixonada e dolorosa a profissão de efemeridade e, no entanto, não morria, apenas se modificava, renascia uma e outra vez, tomava aspectos sempre diversos, sem que o tempo se intercalasse entre uma e outra configuração. E todos esses rostos repousavam, flutuavam, geravam-se mutuamente, esvaiam-se e confundiam-se. Mas por cima deles, sem exceção, estendia-se uma camada fininha, irreal e todavia existente, qual tênue chapa de vidro ou de gelo, camada transparente, casca, molde, máscara de água. Pois, essa máscara morria, e essa máscara era o rosto risonho de Sidarta, que ele, Govinda, neste momento, tocava com os lábios. E Govinda percebeu que esse sorriso da máscara , o sorriso da unidade acima do fluxo das aparências, o sorriso da simultaneidade muito além do sem-número de nascimentos e mortes, o sorriso de Sidarta, era idêntico àquele sorriso calmo, delicado, indevassável, talvez bondoso, talvez irônico, de Gotama, o Buda, tal como ele próprio o observara centenas de vezes com profundo respeito. Era assim – Govinda o sabia – que sorriam os seres perfeitos.
Tendo perdido a noção do tempo, já não sabendo se aquela visão durara um segundo ou um século, ignorando se já existiam Sidarta, Gotama, o eu e o tu, com as entranhas como que atravessadas por uma seta divina, cuja ferida tivesse doce sabor, com a alma enfeitiçada e confusa, detinha-se Govinda por mais alguns instantes. Inclinava-se por sobre o rosto plácido de Sidarta, no qual vinha de depositar um beijo, e que acabava de ser o cenário de todas aquelas formas, evoluções e existências. O semblante não se modificara, depois que, sob a sua superfície, tornara a fechar-se o abismo da infinita multiplicidade. Sorria silenciosamente, suavemente, ternamente, talvez com bondade,talvez com ironia, assim como outrora sorrira o Sublime.
Govinda curvou-se em genuína reverência. Lágrimas de que não se dava conta corriam-lhe pelas faces idosas. No seu coração ardia, qual fogo, o sentimento de caloroso amor e de submissa veneração. Profundamente, até o chão, inclinou-se Govinda diante de Sidarta, que se conservava sentado, imóvel, e cujo sorriso chamava à memória do amigo tudo quanto ele amara no curso da sua vida, tudo quanto já se lhe afigurara precioso e sagrado.

Herman Hesse - Siddharta

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27/11/10

POETAS MEUS AMIGOS -141















Desesperança

A glicínia serpeia no tronco velho
e o dossel chama as abelhas na tarde . quente.
Ninguém perturba o seu afã de insectos eficazes.
As rolas soltam arrulhos mas não convidam à sesta
e não caem coa calma aves nem bocas de amantes.
Tudo é mudo e branco. Nada significa.


Soledade Santos - em Sob os teus pés a terra

ed.Artefacto,Lisboa, 2010 ; http://eartefacto.blogspot.com/

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20/11/10

SOB OS TEUS PÉS A TERRA

Lançamento deste livro da Soledade Santos, uma das poetisas minhas amigas de que já incluí poemas no nosso barco : 6ªfeira, 26 de Novembro, pelas 21 horas, em Lisboa - na Sociedade Guilherme Cossoul, Av.D.Carlos I, 61-1º. Eu estarei lá.
edições artefacto,lisboa

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18/11/10

LEITURAS - 152



[....]

E aí revivi uma sensação de menino,nas primeiras vezes que atentei para as mulheres, o andar delas, o movimento das suas saias, os volumes e os vãos nas suas saias. Eu menino não compreendi o que se passava com meu corpo naquelas horas, eu tinha vergonha de sentir aquilo, era como se o corpo doutro menino estivesse crescendo em meu corpo. Pois agora também demorei a atinar comigo, demorei a acreditar que meu desejo pudesse se restaurar a esta altura da vida tão forte quanto nos dias em que Matilde me olhava como se eu fosse o maior homem do mundo. Mas sim, eu era de novo o rei do mundo, eu era quase o meu pai, e me joguei contra a argamassa da parede como se Matilde estivesse ali para me amparar. Abracei-me à parede áspera, me esfreguei nela, com gosto me escalavrei nela, e me lembrei de Matilde tremendo inteira, cheguei mesmo a escutar sua voz um pouquinho rouca: eu vou, Eulálio. Então patinei no cimento, e antes de descambar ouvi um estalo, senti a dor de um osso a se partir com sua medula, estendido no chão vi minha perna direita retorcida. [...]

E foi num papel aéreo, que me chegou um dia uma carta do Senegal - Eva já se adaptava a África,depois do intenso frio na Indochina,etc. e tal, e embora profícua, a temporada na Indochina ficaria para sempre turvada pela notícia da trágica desaparição de Matilde, trágica desaparição de Matilde, trágica desaparição , sempre turvada pela notícia da trágica aparição de Matilde. O médico se desculpava pelo tom da sua carta anterior, escrita no calor da hora sob forte emoção, e disse que não se cansava de orar pela trágica desaparição de Matilde, desaparição, não se cansava de orar pela memória de Matilde [...]

Chico Buarque, Leite derramado

ed.D.Quixote,Lisboa, 2010
...............................................................................
Uma opinião que partilho e por isso recomendo vivamente o livro que acabo de ler:

«Leite Derramado é um livro maior, em que Chico Buarque dá um passo além de Budapeste e alcança na ficção a mesma potência vernácula e imaginativa de suas melhores canções […]. Chico Buarque escreveu um romance poderoso sobre o amor e a posse, a memória e a história.»-em Estado de S.Paulo

Ver também:


http://www.youtube.com/watch?v=_tkaXxXXKVI
http://www.leitederramado.com.br/wordpress/?p=47

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11/11/10

DO FILME DO DESASSOSSEGO

cinema


Amanhã

Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir — é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida. Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção -isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos. Esta madrugada é a primeira do mundo. Nunca esta cor rosa amarelecendo para branco quente pousou assim na face com que a casaria de oeste encara cheia de olhos vidrados o silêncio que vem na luz crescente. Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser. Amanhã o que for será outra coisa, e o que eu vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão.

Bernardo Soares.Fernando Pessoa,
in Livro do Desassossego

________

Do Livro do Desassossego (o de Bernardo Soares e de todos nós) não imaginava poder fazer-se um filme. João Botelho fê-lo. Devo confessar que fui assistir com reserva. E fiquei em estado de encantamento, a ver...o filme tem, afinal, apenas 2 horas - Claro que João Botelho, que, aliás,veio, no início, dizer do porquê das suas opções, seleccionou excertos - outros teriam seleccionado nesse livro que não chegou a sê-lo, mas se vai fazendo pelas escolhas de cada um -outros; reuniu artistas,uns mais,outros menos conhecidos; encenou excertos, bem ditos ou cantados por todos eles, e não apenas pelo protagonista; filmou uma das mais belas cidades do mundo , - Oh!Lisboa, meu lar! - penso,como nunca alguém o fizera. Fotografia, actores principal e secundários – textos escolhidos - pelo filme passou a figura e o desassossego do mais célebre ajudante de guarda-livros do mundo. Passaram nos fragmentos do seu Livro/agora filme, o seu e nosso desassosego. Um achado, uma arte que se soma a outra, à do Livro. Num dos mais belos filmes portugueses de sempre,na minha opinião. Se passar aí por perto,(por emquanto anda em circuito relativamente fechado, percorrendo o país, não deixem de o ver. Há alguns pequenos excertos no youtube - mais promocionais do que verdadeiros trailers, No google, podem saber mais sobre o filme, também.E sobre o realizador. Por mim, aguardo a saída em DVD para poder voltar a encantar-me.

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27/10/10

LER OS CLÁSSICOS - 132

ler

LXXV

Ao que, por culpa tua, chegou a minha alma,
Lésbia! Até que ponto, pela sua fidelidade,
ela se perdeu! Já te não pode
querer bem, ainda que te tornes
a melhor das mulheres, mas também não pode
deixar de te amar, mesmo que para isso tudo faças

Catulo – 25 Carmesedição bilingue
Trad. e notas de Albano Martins
Editoralicorne.blogspot.com

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22/10/10

OS MEUS POETAS - 191

autores,ler


Na noite da minha morte
Tudo voltará silenciosamente ao encanto antigo...
E os campos libertos enfim da sua mágoa
Serão tão surdos como o menino acabado de esquecer.

Na noite da minha morte
Ninguém sentirá o encanto antigo
Que voltou e anda no ar como um perfume...
Há-de haver velas pela casa
E xales negros e um silêncio que eu
Poderia entender.

Mãe: talvez os teus olhos cansados de chorar
Vejam subitamente...
Talvez os teus ouvidos, só eles ouçam, no silêncio da casa velando,
E mesmo que não saibas de onde vem nem porque vem
Talvez só tu a não esqueças.

Cristovam Pavia,35 Poemas

- reeditados.com outros, em Poesia (completa) - D.Quixote,2010

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29/08/10

DA EDUCAÇÃO - 61


Recomendo a leitura do dossiê sobre educação neste número de setembro do Courrier Internacional - edição portuguesa - Nº175 .

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02/08/10

DIÁRIOS DE ADÃO E EVA

Ora aqui está um pequenino livro de Mark Twain que nos diverte pelo humor inteligente...

Diverti-me, ao lê-lo e por isso o recomendo.
ed.Estrofes e Versos,
formato:15x10;62 p.

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30/07/10

A MENINA DO MAR E OUTROS CONTOS


Trata-se de um pequeno livro que reune contos de Jules Supervielle,poeta e prosador francês, nascido no Uruguay, mas nunca deixando de andar lá e cá, entre o país em que nasceu e aquele das suas raízes familiares,a França. Gostei muito de ler estas 'estórias'.

Da orelha do livro:
«O mar tão presente em vários dos contos incluídos neste livro, é para ele (autor) talvez o único lugar em que se sente em casa. De facto, o seu verdadeiro lugar parece estar a meio caminho entre a América e a Europa, entre a vida e a morte, como a «aldeia sobre as vagas» que A Menina do Alto Mar, o seu conto mais célebre, situa no coração do oceano.»

edições sempre em pé - Porto - http://www.sempreempe.pt/

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28/07/10

MEMÓRIAS DO ANTIGAMENTE



Saído recentemente, reune a memória da, extinta depois pela PIDE, cooperativa CONFRONTO - a equivalente, no Porto, da PRAGMA, em Lisboa.
Vale a pena lembrar esse outro modo, fora dos partidos na clandestinidade, de fazer oposição a Salazar e Caetano.
O livro foi organizado com a ajuda de alguns dos fundadores sob a responsabilidade de Mário
Brochado Coelho, seu autor.


- edições Afrontamento, Porto, julho de 2010

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29/06/10

LI E RECOMENDO

ler

[Retratos de mulheres]

Há mulheres que passam
E deixam pétalas sobre os caminhos


Daniel Francoy

Em Cidade Estranha seguido de Retratos de Mulheres

Ed.artefacto, / Sociedade Guilerme Cossoul,Lisboa, Junho de 2010

ed.artefacto@gmail.com

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29/05/10

LI E RECOMENDO

minimal existencial


As primeiras metáforas

Houve um homem,
anterior a estes e ao abismo.
Chovia. O homem apontou
o céu e disse: «olha como
As nuvens choram,». Foi o primeiro.
As palavras eram ainda leves
e,naturalmente, era também possível
dizer coisas belas e imprevistas
como um relâmpago.


Paulo Tavares em Minimal Existencial
ed.Artefacto, Lisboa,2010 - www.eartefacto.blogspot.com
nas livrarias e em ed.artefacto@gmail.com

Lançamento no dia 8 de Junho, pelas 21 horas,
na Sociedade Guilherme Cossoul,Av.D.Carlos I,61-1º-Lisboa

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