20/01/12
19/08/11
26/07/10
PENSAR - 115

A mais vil de todas as necessidades - a da confidência, a da confissão. É a necessidade da alma de ser exterior. Confessa, sim; mas confessa o que não sentes. Livra a tua alma, sim, do peso dos teus segredos, dizendo-os; mas ainda bem que os segredos que digas, nunca os tenhas tido. Mente a ti próprio antes de dizeres essa verdade. Exprimir é sempre errar. Sê consciente: exprimir seja, para ti, mentir.
Fernando Pessoa.Bernardo Soares
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13/06/10
NO ANIVERSÁRIO DE FERNANDO PESSOA
ANIVERSÁRIO
(excertos)
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
[...]
O que sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que sou hoje (e a casa dos que me amaram
treme através das minha lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome,
sem tempo de manteiga nos dentes!
[...]
Pára, meu coração! Não penses!
Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos. Duro.
Somam-se-me os dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
Fernando Pessoa- Álvaro de Campos
fonte da imagem : Casa Fernando Pessoa
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01/12/09
NOS 75 ANOS DA PUBLICAÇÃO DE «MENSAGEM»
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Prece
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
Fernando Pessoa .Mensagem
publ.em 1 de dezembro de 1934
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30/11/09
MORRER É SÓ NÃO SER VISTO

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07/11/09
NOCTURNOS - 76

Lua de prata de leite
Lua de prata de leite
Que tens um ar de amarela,
Quem foi que te pôs de enfeite
Ao céu, se não és estrela?
Fernando Pessoa
Etiquetas: fernando pessoa, nocturnos, pérolas
06/11/09
PENSAR - 105
Etiquetas: fernando pessoa, pensar-
17/09/09
16/09/09
NOCTURNOS - 74

foto da nasa
Sim, vem um canto na noite.
Não lhe conheço a intenção,
Não sei que palavras são.
É um canto desligado
De tudo que o canto tem.
É algum canto de alguém.
Vem na noite independente
De me dizer bem ou mal.
Vem absurdo e natural.
Já não me lembro que penso.
Oiço; é um canto a pairar
Como o vento sobre o mar.
Oiço, oiço; mas ele cessa...
Tinha que ser, porque foi.
Que mais que a alma lhe dói?
Fernando Pessoa
5 - 9 - 1934
In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed.
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13/06/09
Em dia de S.Fernando Pessoa
Etiquetas: fernando pessoa
Nascido em dia de Santo António

Cada dia sem gozo não foi teu
Fernando Pessoa.Ricardo Reis-Odes
Obs.Neste dia, mas antes de Fernando Pessoa (n.em 1888), nasceu outro dos meus poetas: William Butler Yeats, irlandês(n. em 1855)
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09/05/09
05/05/09
OS MEUS POETAS - 109

Pobre velha música!
Não sei por que agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado!
Recordo outro ouvir-te.
Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.
Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei.
Fui-o outrora agora.
Fernando Pessoa
Etiquetas: fernando pessoa, os meus poetas
26/04/09
OS MEUS POETAS - 108

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Define com perfil e ser
Este fulgor baço de terra
Que é Portugal a entristecer.-
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo - fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem ,
Nem o que é mal nem o que é bem.
É a Hora!
Etiquetas: fernando pessoa, os meus poetas
02/04/09
O PRAZER DE LER - 97

No Dia Mundial do Livro Infantil
Fernando Pessoa, amigo das crianças
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20/01/09
PÉROLAS - 154

«Assim é a vida, mas eu não concordo»
F.Pessoa.Bernardo Soares
L.do Desassossego
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30/11/08
NOS 75 ANOS DA MORTE DO POETA

Pobre velha música!
Pobre velha música!
Não sei por que agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.
Recordo outro ouvir-te,
Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.
Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.
Fernando Pessoa,Cancioneiro
Etiquetas: efemérides, fernando pessoa
26/11/08
DESASSOSSEGOS - 79

Desassossego
Ó noite onde as estrelas mentem luz, ó noite, única coisa do tamanho do Universo, torna-me, corpo e alma, parte do teu corpo, que eu me perca em ser mera treva e me torne noite também, sem sonhos que sejam estrelas em mim, nem sol esperado que ilumine o futuro.
F.Pessoa.Bernardo Soares, Livro do Desassossego
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28/09/08
PÉROLAS - 145

" Um hálito de música ou de sonho, qualquer coisa que faça quase sentir,qualquer coisa que faça não pensar"
Bernardo Soares. Fernando Pessoa
Livro do Desassossego
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