20/01/12

OS MEUS POETAS -233

19/08/11

Fernando Pessoa/Álvaro de Campos

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26/07/10

PENSAR - 115





A mais vil de todas as necessidades - a da confidência, a da confissão. É a necessidade da alma de ser exterior. Confessa, sim; mas confessa o que não sentes. Livra a tua alma, sim, do peso dos teus segredos, dizendo-os; mas ainda bem que os segredos que digas, nunca os tenhas tido. Mente a ti próprio antes de dizeres essa verdade. Exprimir é sempre errar. Sê consciente: exprimir seja, para ti, mentir.

Fernando Pessoa.Bernardo Soares

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13/06/10

NO ANIVERSÁRIO DE FERNANDO PESSOA

ANIVERSÁRIO

(excertos)

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,

Eu era feliz e ninguém estava morto.

[...]


O que sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,

Pondo grelado nas paredes...

O que sou hoje (e a casa dos que me amaram

treme através das minha lágrimas),

O que eu sou hoje é terem vendido a casa,

É terem morrido todos,

É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!

Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,

Por uma viagem metafísica e carnal,

Com uma dualidade de eu para mim...

Comer o passado como pão de fome,

sem tempo de manteiga nos dentes!


[...]

Pára, meu coração! Não penses!

Deixa o pensar na cabeça!

Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!

Hoje já não faço anos. Duro.

Somam-se-me os dias.

Serei velho quando o for.

Mais nada.

Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...


O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Fernando Pessoa- Álvaro de Campos

fonte da imagem : Casa Fernando Pessoa

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01/12/09

NOS 75 ANOS DA PUBLICAÇÃO DE «MENSAGEM»


img-JJoaolroth

Prece

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem - ou desgraça ou ânsia -,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância -
Do mar ou outra, mas que seja nossa!


Fernando Pessoa .Mensagem
publ.em 1 de dezembro de 1934

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30/11/09

MORRER É SÓ NÃO SER VISTO



O homem de tantos (72) nomes que se interrogava.«Quem me dirá quem sou ? - e um dos maiores poetas do s.XX e de sempre - dobrou, como disse, «a curva da estrada» neste dia, em 1935. Dele fica um dos mais conhecidos poemas ( e são tantos ! - alguns tenho publicado neste barco) - assinado por Ricardo Reis.

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07/11/09

NOCTURNOS - 76



Lua de prata de leite


Lua de prata de leite
Que tens um ar de amarela,
Quem foi que te pôs de enfeite
Ao céu, se não és estrela?

Fernando Pessoa

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06/11/09

PENSAR - 105

O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.
Fernando Pessoa
img.carmen cynira

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17/09/09

PÉROLAS - 173

.

Bernardo Soares.Fernando Pessoa

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16/09/09

NOCTURNOS - 74


foto da nasa


Sim, vem um canto na noite.
Não lhe conheço a intenção,
Não sei que palavras são.

É um canto desligado
De tudo que o canto tem.
É algum canto de alguém.

Vem na noite independente
De me dizer bem ou mal.
Vem absurdo e natural.

Já não me lembro que penso.
Oiço; é um canto a pairar
Como o vento sobre o mar.

Oiço, oiço; mas ele cessa...
Tinha que ser, porque foi.
Que mais que a alma lhe dói?

Fernando Pessoa
5 - 9 - 1934
In Poesia 1931-1935 e não datada , Assírio & Alvim, ed.

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13/06/09

Em dia de S.Fernando Pessoa

Tenho o gosto de anunciar que saiu, no passado dia 9 de junho, segundo informação colhida no site da editora Companhia das Letras, de S.Paulo, Brasil, a edição brasileira do meu livro «Fernando Pessoa,O Menino da sua mãe».

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Nascido em dia de Santo António





Cada dia sem gozo não foi teu
Foi só durares nele.
Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.
Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.
Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!

Fernando Pessoa.Ricardo Reis-Odes

Obs.Neste dia, mas antes de Fernando Pessoa (n.em 1888), nasceu outro dos meus poetas: William Butler Yeats, irlandês(n. em 1855)

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09/05/09

NADA SOU,NADA POSSO, NADA SIGO





fernando pessoa,cancioneiro - excerto

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05/05/09

OS MEUS POETAS - 109












Pobre velha música!
Não sei por que agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado!

Recordo outro ouvir-te.
Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.

Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei.
Fui-o outrora agora.

Fernando Pessoa

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26/04/09

OS MEUS POETAS - 108












Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Define com perfil e ser
Este fulgor baço de terra
Que é Portugal a entristecer.-
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo - fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem ,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Valete, Fratres.

Fernando Pessoa,Mensagem (1934)

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02/04/09

O PRAZER DE LER - 97



No Dia Mundial do Livro Infantil

Havia um menino
que tinha um chapéu
para pôr na cabeça
por causa do sol.
Em vez de um gatinho
tinha um caracol.
Tinha o caracol
dentro de um chapéu;
fazia-lhe cócegas
no alto da cabeça.
Por isso ele andava
depressa, depressa,
p"ra ver se chegava
a casa e tirava
o tal caracol
do chapéu, saindo
de lá e caindo
o tal caracol.
Mas era, afinal,
impossível tal,
nem fazia mal
nem vê-lo, nem tê-lo:
porque o caracol
era do cabelo.

Fernando Pessoa, amigo das crianças

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20/01/09

PÉROLAS - 154



«Assim é a vida, mas eu não concordo»

F.Pessoa.Bernardo Soares
L.do Desassossego

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30/11/08

NOS 75 ANOS DA MORTE DO POETA



Pobre velha música!

Pobre velha música!
Não sei por que agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.

Recordo outro ouvir-te,
Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.

Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.

Fernando Pessoa,Cancioneiro

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26/11/08

DESASSOSSEGOS - 79



Desassossego

Ó noite onde as estrelas mentem luz, ó noite, única coisa do tamanho do Universo, torna-me, corpo e alma, parte do teu corpo, que eu me perca em ser mera treva e me torne noite também, sem sonhos que sejam estrelas em mim, nem sol esperado que ilumine o futuro.

F.Pessoa.Bernardo Soares, Livro do Desassossego

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28/09/08

PÉROLAS - 145



" Um hálito de música ou de sonho, qualquer coisa que faça quase sentir,qualquer coisa que faça não pensar"

Bernardo Soares. Fernando Pessoa
Livro do Desassossego

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