07/05/12

OMNIA VINCIT AMOR - 240

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"A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos. A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...TUDO BEM! O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos..."

Chico Xavier

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26/04/12

LER OS CLÁSSICOS - 159

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[Desordenado e continuado desejo, ciúmes e vanglória fazem no coração grande sentimento]


Os amores no coração fazem mais rijo e continuado sentimento que outra benqueren-

ça, por estas razões:

Primeira, por a contrariedade do entender que os contradiz, mostrando de uma parte quanto mal por eles se faz, defendendo que se não faça, e doutra o desejo que muito com eles reina, requerendo com grande afincamento que persevere no que há começado, fazem uma porfia que continuadamente dá grã pena de espírito, afã e cuidado, do que mui amiúde os namorados se queixam, a qual se não pode passar sem rijos sentimentos.
Segunda, porque rijo, desordenado e continuado desejo, ciúmes e vanglória fazem no coração grande sentimento. E porquanto estes reinam mais com amores que com outra benquerença, porém fazem maior sentido.
Terceira, porque assim como dizem as cousas costumadas não fazerem tanto sentir, por esse fundamento aquelas que se abalam convém que o acrescentem.
E pois que os amores nunca dão repouso por fazerem contentar de mui pequeno bem, assim como de uma boa maneira de olhar, gracioso rir, ledo falar, amoroso e favorável jeito, e de tal contrário se assanham, tomam suspeita, caem em tristeza, filhando tão rijo cuidado por uma cousa de nada, como se tocasse a todo seu bom estado, que o não deixa enquanto dura pensar em al livremente, mas como aquele que tem véu posto ante os olhos vê as cousas, dessa guisa ele pensa em todas outras fora do seu fundamento por cima daquele cuidado que lhe faz parecer todas as folganças nada, não havendo aquela que mais deseja.
E se a cobrasse, que tristeza nunca sentiria, o que é tão errado pensamento como bem demonstram muitos exemplos, os quais não quer consentir que se creiam, posto que claramente de demonstrem, pensando que nunca semelhante como ele sentiu que o contrário pudesse sentir, o que adiante as mais das vezes se demonstra mui desvairado do que parece.
E por aqui se pode bem conhecer, posto que não caia em outro erro, quanto perigo é trazer um tal cuidado assim reinante em ele, que o não deixe pensar em cousa livremente sem haver dele lembramento, e como constrangido cuidar em qualquer outro feito por pesado que seja, para o coração no que tais amores lhe mandam quer embargar seu sentido, desamparando todos os outros por necessários que sejam.
E por estas razões convém que traga e faça maiores sentimentos que outra maneira de amar.
o leal conselheiro   
 rei d. duarte -Leal Conselheiro

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30/03/12

NOCTURNOS - 108

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Não sei para que lado da noite me hei-de virar
onde esconder de ti o rio de fogo das lágrimas
quase a transbordar e acendo mais um cigarro
e falo atabalhoadamente de um futuro qualquer
e suspiro de alívio porque não ouves o que digo
ou se calhar também não sabes onde te esconderes
esperamos que se ilumine o lado certo da noite
é quando se esgotam as palavras e os silêncios
e a minha mão procura a tua que a recebe
e a noite se unifica e todos os rios secam
menos um por onde navegamos
para abolir a noite.

Carlos Alberto Machado

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29/03/12

OMNIA VINCIT AMOR - 239

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Conta-me outra vez
Conta-me outra vez, é tão bonito
que não me canso nunca de escutá-la.
Repete-me outra vez que o casal
da história foi feliz até morrer,
que ela não lhe foi infiel, que a ele nem sequer
lhe ocorreu enganá-la. E não esqueças
de que, apesar do tempo e dos problemas,
continuavam os beijos todas as noites.
Conta-me mais mil vezes, por favor:
é a história mais bela que conheço.


Amália Bautista
Publicado por Aldina Duarte

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17/03/12

OMNIA VINCIT AMOR - 238

JOVEM

O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu não sou meu, como serei teu, ou tu minha? Se não possuo o meu próprio ser, como possuirei um ser alheio? Se sou diferente daquele de quem sou idêntico, como serei idêntico daquele de quem sou diferente?
O amor é um misticismo que quer praticar-se, uma impossibilidade que só é sonhada como devendo ser realizada.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

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14/02/12

OS MEUS POETAS -237

o que o tempo faz com as
cerejas


Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejas
Quando não te doeu acostumar-te a mim,
à minha alma solitária e selvagem,
a meu nome que todo afugentam.
Tantas vezes vimos arder o luzeiro
nos beijando os olhos e sobre nossas cabeças
destorcer-se os crepúsculos em girantes abanos.
Sobre ti minhas palavras choveram carícias.
Desde faz tempo amei teu corpo de nácar ensolarado.
Chego a te crer a dona do universo.
Te trarei das montanhas flores alegres,
copihues, avelãs escuras, e cestas silvestres de beijos.
Quero fazer contigo o que a primavera faz com as cerejas.


Pablo Neruda

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03/02/12

LEITURAS - 178

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marc chagall,the blue lovers
O nascimento do prazer

O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protectora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protector, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele é nós.

Clarice Lispector

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22/01/12

OMNIA VINCIT AMOR - 173


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"Não posso decidir ainda como deverá ela ser compreendida; assim, conservo-me perfeitamente quieto, apagado - sim, como a sentinela na trincheira que se lança por terra a fim de escutar o menor eco do inimigo que avança. porque, para ela, eu não existo; não se trata de uma relação negativa, mas de uma relação inexistente: até aqui não ousei qualquer experiência. - Vê-la e amá-la, é assim que se exprimem nos romances - sim, é assaz verdadeiro desde que o amor não tenha dialéctica; mas, ao fim e ao cabo, que podem os romances ensinar-nos acerca do amor? Apenas mentiras que ajudam a passar o tempo."

 Soren Kierkegaard 

encontrado em blogue à portuguesa - http://aldinaduarte.blogspot.com/

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03/01/12

LEITURAS - 175

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magritte

É vão acreditar-se - escreveu ela - que o amor possa advir de uma comunhão de espíritos, de pensamentos; é a explosão simultânea de dois espíritos empenhados no acto independente de se expandirem. E a sensação é a de que alguma coisa explodiu dentro deles, silenciosamente. Em torno deste acontecimento, assombrado e apreensivo, o apaixonado ou a apaixonada continua a viver examinando a sua própria experiência; apenas a gratidão cria nela a ilusão de que comunica com o seu amigo, mas é falso, porquanto ele nada lhe deu. O objecto amado é, simplesmente, aquele que viveu uma experiência igual no mesmo instante, como um Narciso; e o desejo de estar junto do objecto amado é devido, em primeiro lugar, não à ideia de possuí-lo, mas, simplesmente, de permitir a comparação entre as duas experiências, como a mesma imagem vista em espelhos diferentes. Tudo isto pode preceder o primeiro olhar, o primeiro beijo, o primeiro contacto; preceder a ambição, o orgulho e a cobiça; preceder as primeiras declarações que assinalam o ponto de viragem - pois a partir daqui o amor degenera em hábito, em posse e ... em solidão.

Lawrence Durrel 

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19/12/11

OMNIA VINCIT AMOR - 173



encontrado na net

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17/12/11

OMNIA VINCIT AMOR - 172


BRIGHT STAR-4
"Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!"
 Sigmund Freud 
cit. em blogue à portuguesa - http://aldinaduarte.blogspot.com

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05/12/11

OMNIA VINCIT AMOR - 171


https://www.youtube.com/watch?v=_JEsCzTinac&feature=player_embedded#!
Chico Buarque,citando Montaigne - Porque era ela, porque era eu

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27/11/11

De Cartas a um jovem poeta

23/11/11

OMNIA VINCIT AMOR - 170




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Da qualidade da sua paixão


li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?

quando alguém morre também quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?

E eu então indago de mim se eu próprio tenho paixão
se posso morrer gregamente



Herberto Helder, in a Faca não corta o fogo

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25/10/11

OMNIA VINCIT AMOR - 168


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Um amor depois do outro

Virá o tempo
quando exultante
hás de saudar-te ao chegar, em teu espelho, e cada qual
retribuirá sorrindo a saudação do outro,

e dirá, senta-te aqui. Come.
Amarás de novo a quem te era estranho: a ti mesmo.
Dá vinho. Pão. Teu coração de volta
a si mesmo, ao estranho que toda a vida

te amou, que, por causa de um outro,
desconsideras, quem te conhece de cor.
Pega as cartas de amor na estante,

As fotos, as anotações desesperadas,
Descasca do espelho tua imagem.
Senta-te. Refestela-te com tua vida.

Derek WalcottPrémio Nobel em 1992 
Trad. de Nelson Archer

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12/10/11

OMNIA VINCIT AMOR - 167

despedida

As palavras que os apaixonados empregam às vezes estão carregadas de falsas emoções. Somente os silêncios possuem aquela precisão cruel que lhes confere a verdade.

Lawrence Durrel

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11/10/11

LER OS CLÁSSICOS - 151


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Estupendo

estupendo,
um jardim em chamas.

o meu coração carece de todas as formas:
um prado para as gazelas,
um mosteiro para os monges,
um chão sagrado para os ídolos,
ka'ba para o peregrino circular,
as tábuas de Tora,
os pergaminhos do Corão.

eu creio no amor,
seja em que esquina a sua caravana vire.
e esta é a minha certeza,
esta é a minha fé.

Ibn ‘Arabī
versão de Pedro Calouste

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06/09/11

OMNIA VINCIT AMOR - 166

arte;retratos
img-Csaba markus  


Vem quando o vento acorda os meus cabelos,
Como em folhagem que, ávida, respira…

Vem como a sombra, quando a estrada é nua,
Nem risco de asa, vem, serenamente!

Como as estrelas, quando não há Lua
Ou como os peixes, quando não há gente…

Pedro Homem de Mello

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04/08/11

OMNIA VINCIT AMOR - 165


amor


Quantas vezes o disse para dizer outra coisa? Que o amor é uma doce e complexa mistura de ternura desejo admiração paciência trabalho sopro memória furor paixão sexo compaixão amizade loucura saudade e tudo e sempre e mais... Quantas vezes o disse para dizer o que só te posso dizer a ti, que me abres um novo paraíso?

Casimiro de Brito - in O Livro de Eros

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25/07/11

A Barca dos Amantes





Sérgio Godinho , cantautor, em Escritor de Canções

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