12/05/12

DE,AMICITIA-102

queo ver-te feliz-FB


Amigo é aquele que permanece
que planta oásis no agreste
deserto quente.

tira água da pedra
e a mágoa
do coração da gente.
AMigo é aquele que vai embora
mas volta...dá o ombro ri
e no ombro chora.


É prosa que não tem fim
e luz que se demora.

amigo é pra todo sempre
e pela estrada afora

Marco Araujo

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24/04/12

DE AMICITIA - 117

recado aos amigos
Recado aos Amigos Distantes
Meus companheiros amados, 
não vos espero nem chamo: 
porque vou para outros lados. 
Mas é certo que vos amo. 

Nem sempre os que estão mais perto 
fazem melhor companhia. 
Mesmo com sol encoberto, 
todos sabem quando é dia. 

Pelo vosso campo imenso, 
vou cortando meus atalhos. 
Por vosso amor é que penso 
e me dou tantos trabalhos. 

Não condeneis, por enquanto, 
minha rebelde maneira. 
Para libertar-me tanto, 
fico vossa prisioneira. 

Por mais que longe pareça, 
ides na minha lembrança, 
ides na minha cabeça, 
valeis a minha Esperança.


Cecília Meireles, in 'Poemas (1951) 

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27/03/12

DE AMICITIA - 116

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Amigo

1.
Amigo, toma para ti o que quiseres,
passeia o teu olhar pelos meus recantos,
e se assim o desejas, dou-te a alma inteira,
com suas brancas avenidas e canções.

2.
Amigo - faz com que na tarde se desvaneça
este inútil e velho desejo de vencer.

Bebe do meu cântaro se tens sede.

Amigo - faz com que na tarde se desvaneça
este desejo de que todas as roseiras
me pertençam.

                               Amigo,
se tens fome come do meu pão.

3.
Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto
que sem olhares verás na minha casa vazia:
tudo isto que sobe pelo muros direitos
- como o meu coração - sempre buscando altura.

Sorriste - amigo. Que importa! Ninguém sabe
entregar nas mãos o que se esconde dentro,
mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares,
e toda eu ta dou... Menos aquela lembrança...

... Que na minha herdade vazia aquele amor perdido
é uma rosa branca que se abre em silêncio...

Pablo Neruda
, in "Crepusculário"

Tradução de Rui Lage

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26/02/12

DE AMICITIA -115

foto de manuel alvarez
Um amigo é uma pessoa com quem posso ser sincero. Posso pensar na sua frente em voz alta. Finalmente estou diante de um homem tão real e harmonioso que posso abandonar até mesmo aqueles mais ocultos véus de dissimulação, cortesia e segundos pensamentos, que os homens jamais se libertam, e lidar com ele com a simplicidade e a inteireza com que um átomo reage a outro. A sinceridade é o luxo permitido, como apenas ao mais alto escalão se oferece diademas e autoridade, sendo ela a permissão para falar a verdade como se não houvesse ninguém mais alto para cortejar, ou a cuja vontade conformar-se. Todo homem é sincero sozinho. A hipocrisia tem início quando aparece uma segunda pessoa. Através de cumprimentos, tagarelice, diversões, negócios contornamos e evitamos a aproximação de nosso amigo. Com uma centena de medidas, escondemos nosso pensamento. Conheci um homem que, sob certo transe religioso, desfez-se de todos os seus artifícios e, omitindo convenções e concordâncias, falou à consciência de toda pessoa que encontrou com grande penetração e beleza. Todos disseram que ele havia enlouquecido e, a princípio, resistiram a ele. Porém, persistindo algum tempo nesse caminho, como de fato não podia evitar de fazer, ele teve o privilégio de criar uma relação verdadeira com todo homem de seu conhecimento. Ninguém pensaria em ser falso com ele, ou em desperdiçar seu tempo com assuntos vazios. Devido a sua grande sinceridade, todo homem se sentia obrigado a corresponder a igual tratamento, e, qualquer que fosse o entusiasmo pela natureza, a poesia, o símbolo de verdade que portasse, ele certamente o mostraria. Para a maioria das pessoas, todavia, a sociedade não mostra seu rosto e olhos, mas sim seu perfil e costas. Em uma época falsa, para estabelecer-se relações sinceras com os homens, não é necessário um surto de insanidade?

Ralph Emerson

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07/02/12

DE AMICITIA -114

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Bilhete para o Amigo Ausente

Lembrar teus carinhos induz
a ter existido um pomar
intangíveis laranjas de luz
laranjas que apetece roubar.

Teu luar de ontem na cintura
é ainda o vestido que trago
seda imaterial seda pura
de criança afogada no lago.

Os motores que entre nós aceleram
os vazios comboios do sonho
das mulheres que estão à espera
são o único luto que ponho. 



Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"

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12/01/12

DE AMICITIA -112


amigos

...será mesmo, Calvin? -:)

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05/12/11

OMNIA VINCIT AMOR - 171


https://www.youtube.com/watch?v=_JEsCzTinac&feature=player_embedded#!
Chico Buarque,citando Montaigne - Porque era ela, porque era eu

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17/10/11

DE AMICITIA - 115

amitié
  
Amigos

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto...

Óscar Wilde

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09/09/11

DE AMICITIA -113


  
[DOS AMIGOS]

(....)
" E tu, e tu e tu, ó tantos amigos, tanta moça amada, tantos velhos cavadores que me ensinaram, sobre poiais frescos das velhas casas, os ângulos da pedra filosofal...Quinze anos. Quinze anos. Quinze anos. A vida toda despida à minha frente em arremessos de amor, chão, ternura e amizade: - Foi aos quinze anos que descobri que um homem sozinho não vale nada."

Eduardo Olímpio (excerto do texto Quinze anos)

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27/08/11

DE AMICITIA -112

18/08/11

DE AMICITIA -111


Parábola dos sete vimes


“Era uma vez um pai que tinha sete filhos. Quando estava para morrer, chamou-os todos sete, e disse-lhes assim:-Filhos, já sei que não posso durar muito; mas antes de morrer, quero que cada um de vós me vá buscar um vime seco e mo traga aqui.- Eu também? – Perguntou o mais pequeno, que tinha só quatro anos. O mais velho tinha vinte e cinco e era um rapaz muito reforçado e o mais valente da freguesia.- Tu também - respondeu o pai ao mais pequeno.Saíram os sete; e daí a pouco tornaram a voltar, trazendo cada um seu vime seco.
O pai pegou no vime que trouxe o filho mais velho e entregou-o ao mais novinho, dizendo-lhe: - Parte esse vime.O pequeno partiu o vime, e não lhe custou nada a partir.Depois, o pai entregou outro ao mesmo filho mais novo e disse-lhe:
 - Agora parte também esse..O pequeno partiu-o; e partiu, um a um, todos os outros, que o pai lhe foi entregando, e não lhe custou nada parti-los todos. Partindo o último,  pai disse outra vez aos filhos:-Agora ide procurar outro vime e trazei-mo.
Os filhos tornaram a sair e daí a pouco estavam outra vez ao pé do pai, cada um com o seu vime.- Agora dai-mos cá - disse o pai.E dos vimes todos fez um feixe, atando-os com um vincelho. E, voltando-se para o filho mais velho, disse-lhe assim: 
- Toma este feixe! Parte-o!O filho empregou quanta força tinha, mas não foi capaz de partir o feixe.- Não podes? - perguntou ele ao filho.Não, meu pai, não posso.-E algum de vós é capaz de o partir? Experimentai

Não foi nenhum capaz de o partir, nem dois juntos, nem três, nem todos juntos.O pai disse-lhes então:-Meus filhos, o mais pequenino de vós partiu, sem lhe custar nada, todos os vimes, enquanto os partiu um por um; e o mais velho de vós não pode parti-los todos juntos; nem vós, todos juntos, fostes capazes de partir o feixe. Pois bem, lembrai-vos disto e do que vos vou dizer: enquanto vós todos estiverdes unidos, como irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis, ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis vencidos..
Acabou de dizer isto e morreu – e os filhos foram muito felizes, porque viveram sempre em boa irmandade ajudando-se sempre uns aos outros; e como não houve forças que os desunissem, também nunca houve forças que os vencessem”
Trindade Coelho. In: Os meus amores

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23/07/11

DESASSOSSEGOS - 120


desassossegos

Convite Triste

Meu amigo, vamos sofrer,
vamos beber, vamos ler jornal,
vamos dizer que a vida é ruim,
meu amigo, vamos sofrer.

Vamos fazer um poema
ou qualquer outra besteira.
Fitar por exemplo uma estrela
por muito tempo, muito tempo
e dar um suspiro fundo
ou qualquer outra besteira.

Vamos beber uísque, vamos
beber cerveja preta e barata,
beber, gritar e morrer,
ou, quem sabe? beber apenas.

Vamos xingar a mulher,
que está envenenando a vida
com seus olhos e suas mãos
e o corpo que tem dois seios
e tem um embigo também.
Meu amigo, vamos xingar
o corpo e tudo que é dele
e que nunca será alma.

Meu amigo, vamos cantar,
vamos chorar de mansinho
e ouvir muita vitrola,
depois embriagados vamos
beber mais outros sequestros
(o olhar obsceno e a mão idiota)
depois vomitar e cair
e dormir.


Carlos Drummond de Andrade

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21/07/11

DE AMICITIA -110


Porque os amigos brasileiros comemoram o Dia do Amigo, associo-me a eles e estou grata por todos os amigos que reconheci ou por quem fui reconhecida. Eles são também a minha família - a que tive a sorte de encontrar.

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26/06/11

DE AMICITIA - 109

amizade


O amigo

A casa do amigo não tem chave
Com um pequeno sopro abre-se a porta
e o aconchego envolve quem entrou
Tem um sofá em forma de sorriso
um copo de água fresca sobre a mesa
e a calma de um nocturno de Chopin
O amigo fez a casa e em nós pensou
A voz é doce e com palavras poucas
abranda a nossa pressa de falar
Naturalmente deixa-nos chorar
O amigo não tem história para contar
e nunca diz: isso não é verdade
Acha que quem chegou deve partir
a arriscar sentir serenidade

Licínia Quitério
http://sitiopoema.blogspot.com/

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11/06/11

DE AMICITIA - 108

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Cuando un amigo se va

 Cuando un amigo se va
 queda un espacio vacío,
 que no lo puede llenar
la llegada de otro amigo.

 Cuando un amigo se va,
 queda un tizón encendido
 que no se puede apagar
 ni con las aguas de un río.

 Cuando un amigo se va,
 una estrella se ha perdido,
 la que ilumina el lugar
 donde hay un niño dormido.

 Cuando un amigo se va
 se detienen los caminos
 y se empieza a rebelar,
 el duende manso del vino.

  Cuando un amigo se va
 galopando su destino,
 empieza el alma a vibrar
 porque se llena de frío.

 
 Cuando un amigo se va,
 queda un terreno baldío
 que quiere el tiempo llenar
 con las piedras del hastío.

 Cuando un amigo se va,
 se queda un árbol caído
 que ya no vuelve a brotar
 porque el viento lo ha vencido.

 Cuando un amigo se va,
 queda un espacio vacío,
 que no lo puede llenar
 la llegada de otro amigo.

 Alberto Cortez
pode ouvir em http://www.youtube.com/watch?v=hjfH2oNsa34

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16/05/11

DE AMICITIA - 107

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"Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que sacia, amor que promove... E isso não é coisa de outro mundo: é o que dá sentido a vida. É o que faz com que ela não seja nem curta nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira e pura... Enquanto durar".

Cora Coralina

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17/04/11

DE AMICITIA - 106

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Bilhete para o Amigo Ausente

Lembrar teus carinhos induz
a ter existido um pomar
intangíveis laranjas de luz
laranjas que apetece roubar.

Teu luar de ontem na cintura
é ainda o vestido que trago
seda imaterial seda pura
de criança afogada no lago.

Os motores que entre nós aceleram
os vazios comboios do sonho
das mulheres que estão à espera
são o único luto que ponho.


Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"

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07/03/11

DE AMICITIA - 105

ler"

amigos de longa data do dia que não acaba

quero os amigos que tenho na cabeça
os que tenho em mente nunca conhecer pessoalmente

e não vão ter defeitos os meus amigos de nunca
mais

os meus amigos são Simão que vende seguros e por isso
usa óculos só para os poder partir

são Jaime que tem um snack-bar que dá prejuízo

são Abu que é indiano e que está na minha cabeça só
para provar que sou multicultural e tirando isso
o Abu cala-se o Abu canha-se

e são eles aqueles que eu gostava de levar para a cova
para os apresentar à Nossa Senhora

e são eles aqueles com quem jogo cartas sem me
preocupar com a morada certa

e desabafo com eles como quem tem falta de ar
e converso com eles nos intervalos das discussões
que o resto do tempo fica para discutir quem é mais
meu amigo
amigo meu mais
meu mais amigo

e fazem concursos para ver quem me lava melhor os
pés
quem me coça melhor as costas
quem me dá o abraço mais apertado e sexual sem
chegar ao ponto do desconforto de ter vontade de o
beijar

e tenho tantas saudades deles
inventei as saudades que lhes tinha e pedi que chorassem
muito

e eles choraram o dobro de muito que é para cima de
um lago onde vamos nadar os quatro

o choro deles quando se juntam é do tamanho
da água de que precisa o veleiro de onde partimos à
aventura

e ao partir a aventura dividi-a pelos três
e agora estão ciumentos porque não dá conta certa
e disputam a amizade como um jovem lobo que aprende
a caçar

e eu dou-me todo por não ter a quem mais dar
e converso-lhes as palavras todas porque eles não
existem

e digo-me os elogios todos porque eles não me podem
ver

e canto-me as canções mais doces porque voz não
sabeis
não sabesnão estás cá
não estão cá
antes estivessem
se cá estivessem era melhor
não estando tenho de me contentar com os homens e
mulheres que estão ao meu lado e que eu não inventei

e cada vez tenho mais saudades deles
procuro alguém parecido mas não encontro

e quando encontro não gosto porque me apaixono pelas
pessoas que são o contrário do que a minha imaginação
prefere

e o Jaime o Simão e o Abu levaram a mal e foram
passar férias para a
cabeça de outra pessoa e nem um
recado deixaram

e se calhar não voltam
e se calhar não quero
e a cabeça já não tem inquilinos
e os que há estão à minha volta
mesmo à minha volta
mesmo de verdade
com caras que não me são familiares e personalidades
defeituosas que eu julgo como quem beija

a cabeça levo-a leve mas o coração bate mais forte
mais pesado
pudera tem gente lá dentro


João Negreiros In "Luto Lento",
Ed. Projecto Literatura em Movimento

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05/03/11

DE AMICITIA -104

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Os grandes amigos

São como as árvores
de grande porte.
Quando elas partem
as raízes ficam
aquém da morte

Luís Veiga Leitão
Rosto por Dentro, Edições Afrontamento

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13/01/11

DE AMICITIA - 103

Poema
Eu adorava o meu amigo.
Ele partiu e deixou-me.
Não há mais nada a dizer.
O poema termina,
Suave como começou
- Eu adorava o meu amigo.



Langston - Hughes

Versão Luís Parrado
In http://arspoetica-lp.blogspot.com

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