16/04/12

ESCREVER - 112

[traduzir é...]

troca de rosa
-na definição de Antonio Machado retomada para título de um livro de traduções de Eugénio de Andrade-

O gosto do livro despertou em mim o apetite de traduzi-lo. Nunca fui amante de traduções: por falta de habilitação e de paciência. É esse ofício de traduzir, alguma coisa como a navegação por mares nevoentos, em que você tanto pode salvar-se como topar com um recife, a proa de outro barco, o peixe-fantasma, a mina flutuante e o raio. Às vezes imaginamos que estamos traduzindo e estamos simplesmente falsificando: culpa da cerração no mar de línguas, senão da própria irredutibilidade do texto literário.(...) Traduzi com grandes pausas, como se deve beber cachaça, e se não estou satisfeito com o meu trabalho, confesso que dele tirei prazer.”

“As palavras não são apenas símbolos de coisas, são também coisas elas próprias, com a forma, a cor, a densidade, o peso, a essência peculiar a cada qual. O tradutor tenta o milagre de encontrar, em duas línguas, palavras-coisas que se correspondam exatamente. Não há. Muitas aproximações, entretanto, são felizes: nesse caso, o tradutor do poema escreveu um novo poema. Louvemos, por isso mesmo, os tradutores. Dentro da condição terrestre das ilhas vocabulares, eles fazem o que podem.”

Carlos Drummond de Andrade 

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19/03/12

ESCREVER -111

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O Que é Escrever ?
Escrever é isto: comover para desconvocar a angústia e aligeirar o medo, que é sempre experimentado nos povos como uma infusão de laboratório, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso (não de livraria, mas de indignação social profunda) é aquele que protege os homens do medo: por audácia, delírio, fantasia, piedade ou desfiguração. Mas porque a poética precisão de dum acto humano não corresponde totalmente à sua evidência. Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do silêncio em que foram criadas. Depois de tudo, escrever é um pouco corrigir a fortuna, que é cega, com um júbilo da Natureza, que é precavida.

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09/03/12

ESCREVER - 110

escritores

"Os grandes escritores nunca foram feitos para suportar a lei dos gramáticos, mas sim para impor a sua."

Erasmo de Roterdão

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19/02/12

ESCREVER - 109

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Se tens algo a dizer ou uma mensagem a comunicar, escreve uma carta.Um romance é.para contar uma história.


Jorge Luís Borges 

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15/02/12

ESCREVER - 108


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 Um romance tem demasiadas palavras
Um romance tem demasiadas palavras. Por isso escrevo poemas.
Como se fazer poemas não fosse suficiente,perguntam-me por que o faço.
Escrevo porque minto.
Porque sou mentirosa e porque exagero as coisas. Se não exagerasse as coisas, ninguém acreditaria em mim. 
Os poemas perdem-se sem trégua, perdem-se dia após dia porque ninguém os guarda, porque ninguém os escreve. Eu sou uma caçadora de poemas; não sou uma escritora. 
Castillo Suarez 

(Versão de Luís Parrado,a partir da tradução para espanhol da autora reproduzida em Un puente de palabras - 5 jóvenes poetas vascos, selecção de Jon Kortazar, Centro de Lingüistica Aplicada Atenea, edição bilingue euskera/espanho, Madrid, 2005, p. 89).

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13/02/12

LEITURAS - 180



Esta é a verdadeira história de Zé Petinga, o homem que não parava de escrever. Filho do mar e da terra, fora pescador nas horas vagas e amante de baronesas a tempo inteiro. Conheciam-se-lhe para cima de mil relações afectivas, todas elas tão turbulentas como uma maré em noite de lua cheia. Certo dia partiu na direcção do horizonte e nunca mais alguém o viu. Regressou ninguém sabe de onde, nem com que histórias sobre os ombros. Andava aos ésses, a cada passo para a frente era homem para dar dois atrás. Só se sabia que estava diferente, com as palmas das mãos calejadas pela vida e os pés feridos de um gelo impassível. Conta-me o Galego que a última vez que o ouviu falar foi numa tarde de ventania, à marginal, cada um na sua margem e em direcções opostas. De uma margem, o Galego perguntou: ó Petinga, de que lado vem o vento? E na outra margem, o Petinga olhou para a esquerda, olhou para a direita, olhou para o alto, olhou na direcção dos pés e respondeu: ó Galego, acho que vem de cima para baixo. Desde então, não mais se soube para que direcções penderam os dedos marginais do pescador. Sabe-se apenas que mordeu o isco da palavra como um peixe incauto morde a minhoca. Ficou com a garganta presa ao anzol das letras. A toda a hora o Zé Petinga escreve, escreve, escreve e redemoinha sobre o que escreve escrevendo. Tem milhares de páginas manuscritas, arrumadas em caixotes que lhe atafulham o quarto onde já nem dorme só para poder continuar a escrever. Vive sozinho com os seus caixotes de palavras, frases inteiras, poemas, contos, páginas sem nexo aparente, saídas dos dedos ao ritmo da água numa nascente. Zé Petinga não pára de escrever. E se pára, é para beber um café e fumar um cigarro, que carne não come e peixe enjoou. Vive do fumo e da cafeína, numa divisão onde cabem um sofá, um fogão e umas escadas que dão para a cama ao lado da qual, debaixo da qual, sobre a qual, se acumulam dezenas de caixotes com milhares de páginas escritas. Tem livros inteiros, obras incomensuráveis, espalhadas pelos quatro cantos do mundo. Manda caixotes na direcção de Alexandria ao cuidado de Bibliotecas que jamais alguém saberá se existem, envia para as ex-amantes, as baronesas, fragmentos que são enciclopédias inteiras de pensamentos sobre pensamentos, dentro de outros pensamentos no imo dos quais muitos mais pensamentos medram. Zé Petinga escreve sem parar, todas as suas páginas juntas davam para fazer um lençol que atravessaria o planeta com a maior das facilidades. Se tal fosse possível, é bem provável que todas as páginas escritas até hoje por Zé Petinga dariam para embrulhar o planeta como uma múmia embrulhada em linho. O que intriga toda a gente, o que estimula desconfiança, o que gera discussão é de onde lhe vem ou onde vai ele beber esse mel mágico da chamada inspiração. Pode a vida de um único homem sustentar tanta folha? Sobre o que escreve o homem que não pára de escrever? É natural que, a páginas tantas, se lhe esgotem os recursos, fique seco de ideias, perca o caudal da existência. Mas o homem que não pára de escrever escreve sem parar, como se nada mais existisse senão ele e aquele acto de escrever. Podia escrever sempre a mesma palavra ou letras desconexas ou nada que se lesse, mas não é esse o caso. Dá-se inclusive o inusitado de já terem sido avistados textos seus, páginas marcadas pela sua laboriosa caligrafia, em alfarrabistas de várias partes do mundo. Este homem não escreve apenas sobre o acto de escrever, ele escreve como quem respira e sabe todo aquele que respira que nem sempre um homem respira da mesma maneira. A cada inspiração corresponde uma expiração diversa. Talvez seja sobre este mecanismo que o homem que não pára de escrever escreve, porque ele escreve com os cigarros queimando-se entre os dedos e largando cinza sobre a tinta da esferográfica, à luz de velas confeccionadas com cera gamada nas igrejas das redondezas, ele escreve com a caneca de café ao lado das folhas, sentindo aquele momento em que o cheiro do tabaco se imiscui com o aroma do café e os vapores pulverizam o ar que se respirar e sobre o qual se escreve. Um homem pode não viver do ar, mas Zé Petinga vive literalmente de escrever.

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17/01/12

ESCREVER - 106

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Off price 

Que a sorte me livre do mercado
e que me deixe
continuar fazendo (sem o saber)
                 fora de esquema
                 meu poema
inesperado


                e que eu possa
                cada vez mais desaprender
                de pensar o pensado
e assim poder
reinventar o certo pelo errado

Ferreira Gullar- Em alguma parte alguma

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27/12/11

ESCREVER - 105

fail better
 Ser artista é falhar como ninguém mais se atreve a falhar. Tentar outra vez.Falhar outra vevez. Falhar melhor"
  Samuel Beckett

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09/12/11

ESCREVER - 104


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Saber que não se escreve para o outro, saber que isto que vou escrever não me fará nunca ser amado por quem amo, saber que a escrita nada compensa, nada sublima, que está precisamente aí onde tu não estás, - é o começo da escrita.


Roland Barthes

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15/11/11

ESCREVER - 103


Há rhytmos verbais que são bailados, em que a ideia se desnuda sinuosamente,numa sensualidade translúcida e perfeita.



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14/10/11

ESCREVER - 102

  

[escrever]

Escrever era só a sobra. O que restava depois que o dia ia se cumprindo e ela cumpria seu papel – a casa bem cuidada, as garotas na escola, o almoço tão bem temperado, a roupa limpa e guardada, não fossem os vizinhos – ou pior, o marido – chamá-la de relaxada. Tinha uma reputação a cuidar. Dias ainda havia para as compras, estantes e tanta coisa por limpar e arrumar. E sempre, sempre os eternos ciscos, migalhas nas bancadas da copa, poeira aqui e ali, a gordura mal limpa no fogão. Tinha empregada, sim, mas cada dia ela queria fazer menos e sair mais cedo. E ao fim do dia, os momentos de ócio necessários para azeitar as ideias e deixar fluir certa energia semicósmica – porque em parte vinha era de dentro. Nem sabia se era mesmo energia: era mais concreto, como liberar alguma coisa física, um miniparto. E porque nada ainda estava dito, era então preciso colher palavras, limpar a terra, o sangue, a aura estranha e revirá-las sobre o teclado e plantá-las no monitor entre as outras, em sequência de alguma lógica, às vezes nem isso. Sentir e pesar seu efeito, seu tempo de validade, porque às vezes ficavam murchas, pobres, indigestas ou indigentes de sentido, caso em que nada resolviam de sua necessidade: as palavras são como as cores para o pintor. Há um efeito final a levar em conta que, esse sim, vem de dentro, e é preciso ser fiel a ele. Então deixava passar um tempo e voltava a elas, as palavras. Assim podia ter uma ideia mais clara do que estariam fazendo ali, corrigir algum rumo sem destino como um piloto em vôo. O voo era sempre meio cego. Havia tardes e noites em que as palavras pareciam fluir tão facilmente, e ela enchia páginas e páginas seguidas, contente, realizada, achando o tempo um sonho. Mas não durava muito e a dor secreta dos dias voltava a se insinuar. A dor era sempre, não cessaria nunca e se expressava de um jeito surdo, devorando as entrelinhas. Chegava de leve, depois aumentava de intensidade e afinal causava um mal-estar que a obrigava a se curvar como quem carrega um peso maior que suas forças. Então às vezes apareciam poemas no monitor. 

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05/09/11

ESCREVER - 101


escrever


Dizer o mesmo com palavras diferentes, sempre o mesmo. Dizer sempre com as mesmas palavras uma coisa completamente diferente ou a mesma de modo diferente. Não dizer muitas coisas, ou dizer muito com palavras que nada dizem. Ou então calar de modo eloquente.

Hans Magnus Enzenberger, Opções para um poeta

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20/08/11

ESCREVER - 100

no blogue poesia-gil sousa
“Escrever é traduzir. Sempre o será. Mesmo quando estivermos a utilizar a nossa própria língua. Transportamos o que vemos e o que sentimos […] para um código convencional de signos, a escrita, e deixamos às circunstâncias e aos acasos da comunicação a responsabilidade de fazer chegar à inteligência do leitor, não a integridade da experiência que nos propusemos transmitir (inevitavelmente parcelar em relação à realidade de que se havia alimentado), mas ao menos uma sombra do que no fundo do nosso espírito sabemos ser intraduzível, por exemplo, a emoção pura de um encontro, o deslumbramento de uma descoberta, esse instante fugaz de silêncio anterior à palavra que vai ficar na memória como o resto de um sonho que o tempo não apagará por completo.
O trabalho de quem traduz consistirá, portanto, em passar a outro idioma (em princípio, o seu próprio) aquilo que na obra e no idioma originais já havia sido “tradução”, isto é, uma determinada percepção de uma realidade social, histórica, ideológica e cultural que não é a do tradutor, substanciada, essa percepção, num entramado linguístico e semântico que igualmente não é o seu. O texto original representa unicamente uma das “traduções” possíveis da experiência da realidade do autor, estando o tradutor obrigado a converter o “texto-tradução” em “tradução-texto”, inevitavelmente ambivalente, porquanto, depois de ter começado por captar a experiência da realidade objecto da sua atenção, o tradutor realiza o trabalho maior de transportá-la intacta para o entramado linguístico e semântico da realidade (outra) para que está encarregado de traduzir, respeitando, ao mesmo tempo, o lugar de onde veio e o lugar para onde vai. Para o tradutor, o instante do silêncio anterior à palavra é pois como o limiar de uma passagem “alquímica” em que o que é precisa de se transformar noutra coisa para continuar a ser o que havia sido. O diálogo entre o autor e o tradutor, na relação entre o texto que é e o texto a ser, não é apenas entre duas personalidades particulares que hão-de completar-se, é sobretudo um encontro entre duas culturas colectivas que devem reconhecer-se. “

José Saramago

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31/07/11

ESCREVER - 99

escrever
Antes de escrever para ti, leitor, é para mim que escrevo. Não para fazer um exercício de auto-contemplação, nem para me libertar de pesos que jamais folgarão tanto as costas como sacos de cimento. Escrevo para mim como quem se interroga, como quem procura construir-se num tempo e num espaço que agrilhoam o pensamento desde a infância perdida. No fundo, escrevo para me libertar de mim próprio e do mundo que me educa.«Pouco ou muito, de tempos a tempos toda a pessoa sente um desejo de abandonar o seu “eu” (esse conjunto aproximativo), tentada por um outro “eu”» (Henri Michaux). Nisso, imito as minhas filhas quando desarrumam a casa. Como elas, desarrumo o domicílio. Não se trata de brincadeira, caro leitor. Pergunta às crianças que te desorganizam a sala se preferiam estar ali, entre as quatro paredes de cimento, protegidas pelas quatro paredes de cimento, ou se preferiam andar na rua. Pode ser que te espante a resposta delas. Não te espantes com a minha: prefiro as casas desarrumadas aos ensaios, às leituras organizadas pela batuta de um maestro, não gosto de encenações, decorações, prefiro o acto, o puro acto da rua à brincadeira domiciliária. Nisso, eu imito o olhar das filhas quando metem torneiras a chorar e desviam da norma a existência dos comandos. Não busco anedotas, coisas belas, nem coisas que de tão feias se tornam caricaturais. Não me basta o rosto grotesco com que acordo todos os dias. Se quiseres, preciso exorcizar o monstro em que me transformo ou corro o risco de me transformar se deixar de insistir na insubordinação e me curvar, submisso, ao castigo que é a domesticação da vida. Podes chamar-lhe anarquismo ontológico, nomadismo espiritual, que nenhum desses conceitos me comoverá tanto como a velha magia de que falava Artaud. Não confundas magia com ilusionismo, pensa nela como se te fosse possível recuperar o sopro mais primitivo da existência. A dança do sol, um silabário anterior à sintaxe dos deuses.
Henrique Fialho in http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com/

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23/06/11

ESCREVER - 98


[a palavra secreta]

Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. Parece-me que todo o resto não é proibido. Mas acontece que eu quero é exatamente me unir a essa palavra proibida. Ou será? Se eu encontrar essa palavra, só a direi em boca fechada, para mim mesma, senão corro o risco de virar alma perdida por toda a eternidade. Os que inventaram o Velho Testamento sabiam que existia uma fruta proibida. As palavras é que me impedem de dizer a verdade.

Clarice Lispector

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12/06/11

ESCREVER - 97




Não escrevas nada...

Não escrevas nada. Deixa os outros falarem,
e mesmo que eles nunca usem palavras como:
revolução, liberdade, dignidade, humilhação,
mesmo que as suas línguas sejam apenas carne
e não cítaras, ou frescos, ou espadas, permite-lhes
que falem. Deixa o sangue correr
e o fogo propagar-se, deixa o tronco da limeira engrossar,
deixa a água e o fruto extraviarem-se.
Não retenhas o teu coração,
deixa-o beber e escutar.

Jan Polkowski
(versão de Luís Parrado - em do trapézio sem rede- http://arspoetica-lp.blogspot.com/)

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30/05/11

ESCREVER - 96

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Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.

Paul Auster

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21/04/11

ESCREVER - 95

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O Que é Escrever ?

Escrever é isto: comover para desconvocar a angústia e aligeirar o medo, que é sempre experimentado nos povos como uma infusão de laboratório, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso (não de livraria, mas de indignação social profunda) é aquele que protege os homens do medo: por audácia, delírio, fantasia, piedade ou desfiguração. Mas porque a poética precisão de dum acto humano não corresponde totalmente à sua evidência. Ama-se a palavra, usa-se a escrita, despertam-se as coisas do silêncio em que foram criadas. Depois de tudo, escrever é um pouco corrigir a fortuna, que é cega, com um júbilo da Natureza, que é precavida.

Agustina Bessa-Luís
in "Contemplação Carinhosa da Angústia"

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10/04/11

ESCREVER - 94

escrever


Não escrevas nada...

Não escrevas nada. Deixa os outros falarem,
e mesmo que eles nunca usem palavras como:
revolução, liberdade, dignidade, humilhação,
mesmo que as suas línguas sejam apenas carne
e não cítaras, ou frescos, ou espadas, permite-lhes
que falem. Deixa o sangue correr
e o fogo propagar-se, deixa o tronco da limeira engrossar,
deixa a água e o fruto extraviarem-se.
Não retenhas o teu coração,
deixa-o beber e escutar.


Jan Polkowski
Versão de Luís Parrado em http://arspoetica-lp.blogspot.com

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25/02/11

ESCREVER - 93



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os fios de uma história entrelaçam-se de vez em quando e formam uma imagem na teia; de vez em quando, as personagens adoptam uma atitude entre si ou em relação à natureza, que deixa a história gravada como uma ilustração. crusoe retrocedendo perante uma pegada, aquiles gritando contra os troianos, ulisses dobrando um grande arco, christian a correr com os dedos nos ouvidos: todos estes são momentos culminantes na lenda, e todos ficaram impressos para sempre no olho da mente. podemos esquecer outras coisas; podemos esquecer as palavras, mesmo que sejam belas; podemos esquecer os comentários do autor, mesmo que sejam engenhosos e verdadeiros; mas estas cenas capitais, que põem a marca definitiva da verdade numa história e, de um só golpe,preenchem a nossa capacidade de prazer, adoptamo-las de tal modo no íntimo do nosso espírito que nem o tempo nem a maré podem apagar ou enfraquecer a sua impressão.

robert louis stevenson -(a gossip on romance, memories an portraits)

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