11/02/12

POEMAS COM ROSAS DENTRO -103


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Rosinha do prado

Viu um rapaz uma rosa,
Rosinha do prado,

Era tão fresca e formosa,
Correi a vê-la, viçosa,
Viu-a, ficou encantado.
Rosa, rosa, tão vermelha,
Rosinha do prado.

Disse o rapaz: "Vou colher-te,
Rosinha do prado!"
Disse a rosa: "Eu vou picar-te,
Tu de mim hás-de lembrar-te,
E não aceito esse Fado."
Rosa, Rosa, tão vermelha
Rosinha do prado

Fogoso, o rapaz colheu
A rosa do prado;
Defendeu-se ela e picou,
Mas de nada lhe valeu,
E sofreu seu Fado.
Rosa, rosa, tão vermelha,
Rosinha do prado.

Goethe
trad. de João Barrento

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31/05/11

LER OS CLÁSSICOS - 142

autores


"Metamorphoses"
( Livro XV, verso 871ss.)

Terminei obra que nem a ira de Júpiter
nem o fogo ou o ferro ou a voraz velhice
abolirão. Que chegue a hora decisiva
para o meu corpo apenas e encerre o espaço
dos meus dias: e que a melhor parte de mim
eleve muito acima dos mais altos astros,
perene, e que nosso nome seja indelével,
e que onde quer que se abra a potência de Roma
sobre as terras dominadas eu seja lido
pelo povo, e que de fama através dos séculos,
segundo os presságios dos poetas, eu viva.

 Ovídio - final de «Metamorfoses»

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26/04/11

LER OS CLÁSSICOS - 141

autores


"Há uma palavra que nos livra de toda a dor e peso da vida.
 A palavra é amor."

Sófocles – s.V a.C.

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06/09/10

LER OS CLÁSSICOS - 131

autores


Exultação

Não há maior maravilha do que percorrer
as alturas estreladas, abandonar as lúgubres regiões
.......................................................da terra,
cavalgar as nuvens, subir aos ombros de Atlas,
e ver muito distantes, lá em baixo, as pequenas

......................................................figuras
que vagueiam e erram, desprovidas de razão,
inquietas, no temor da morte, e aconselhá-las,
e fazer do destino um livro aberto.

Ovídio, in Metamorfoses.

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28/12/09

PÉROLAS - 184



Garça Branca


Esse grande floco de neve
é uma garça branca que acaba de pousar no lago

[azul.
Imóvel, na extremidade de um banco de areia,
a garça branca
observa o inverno.

Li Po

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11/09/09

LER CLÁSSICOS - 111




Levad', amigo, que dormides as manhanas frías;
toda-las aves do mundo d'amor dizían.
Leda m'and'eu.

Levad', amigo, que dormide-las frías manhanas;
toda-las aves do mundo d'amor cantavan.
Leda m'and'eu.

Toda-las aves do mundo d'amor dizían;
do meu amor e do voss'en ment'havían.
Leda m'and'eu.

Toda-las aves do mundo d'amor cantavan;
do meu amor e do voss'i enmentavan.
Leda m'and'eu.

Do meu amor e do voss'en ment'havían;
vós lhi tolhestes os ramos en que siían.
Leda m'and'eu.

Do meu amor e do voss'i enmentavan;
vós lhi tolhestes os ramos en que pousavan.
Leda m'and'eu.

Vós lhi tolhestes os ramos en que siían
e lhis secastes as fontes en que bevían.
Leda m'and'eu.

Vós lhi tolhestes os ramos en que pousavan
e lhis secastes as fontes u se banhavan.
Leda m'and'eu.


Nuno Fernandes de Torneol, trovador
in Cancioneiro da Biblioteca Nacional (CBN) e da Vaticana(CV)

Pequeno glossário:

levad': levantai.vos; ementavan: comentavam, conversavam;siian: estavam pousadas;tolhestes: cortastes;u:onde

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29/08/09

LER OS CLÁSSICOS - 112


capa de Ilda David.


Noite escura


Em uma noite escura, com ânsias,
em amores inflamada,
oh ditosa ventura!,
saí sem ser notada
estando minha casa sossegada.

Na escuridão, segura,
pela secreta escada disfarçada,
oh ditosa ventura!,
no escuro ocultada,
estando minha casa sossegada.

Nessa noite ditosa,
secretamente, que ninguém me via,
de nada curiosa,
sem outra luz nem guia
senão a que no coração me ardia.

Só esta me guiava
com mais certezas que a luz do meio-dia,
aonde me esperava
quem eu bem conhecia,
num sítio onde ninguém aparecia.

Oh Noite, que me guiaste!
oh noite mais amável que a alvorada!
oh noite que juntaste
Amado com amada,
amada em seu Amado transformada.

Em meu peito florido,
que só para ele inteiro se guardava,
ficou adormecido,
e eu o afagava
e o leque de cedros brisa dava.

A viração amena,
enquanto seus cabelos eu espargia,
com sua mão serena
o meu colo feria
e meus sentidos todos suspendia.

Detive-me, olvidei-me,
o rosto reclinei sobre o Amado,
cessou tudo e deixei-me,
deixando o meu cuidado
por entre as açucenas olvidado.


S.Juan de la Cruz - Poesias Completas
(tradução: José Bento - Poesias Completas,
Assírio e Alvim)

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05/08/09

LER OS CLÁSSICOS - 111



Epigrama

Foi o medo, no mundo, que os deuses inventou,
no momento em que os raios do céu se despenhavam,
que as chamas destruíam os montes e as cidades.
Cedo se fez de Febo, de oriente a ocidente,
o deus que ordena a terra; a Lua a mensageira
da renovada esp´rança; dos signos,sobre o orbe,
a sucessão dos meses no decurso do ano.
Crédulos lavradores, com infundada crença,
trataram de honrar Ceres levando-lhe primícias,
e de com vastas palmas engrinaldaram Baco.
Só falta para aqueles que o mundo vão vendendo
finalmente inventarem o deus da avareza.

Séneca
(Fragmento 27,w I-9, 12-13.)

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24/07/09

LER OS CLÁSSICOS - 111




Belos olhos ferindo-me em tal guisa

que eles mesmos curar podem a chaga,
não em virtude de erva ou de arte maga,
ou pedra de além-mar que se utiliza,

fazem-me a vida de outro amor excisa,
que um só doce pensar a alma afaga;
e se a língua em desejo o segue e vaga,
não ela, mas a escolta e o escárnio visa.

São esses belos olhos que a empresa
de meu senhor vitoriosa fazem
que em toda a parte e no meu peito avance;

são esses belos olhos que me trazem
sempre no coração a chama acesa,
por que, deles falando, eu não me canse.

Francesco Petrarca (1304-1374), Rimas
trad. de Vasco Graça Moura, ed. Bertrand, 2003.

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04/06/09

LER OS CLÁSSICOS - 109



Passa por esse vale a Primavera,
As aves cantam, plantas enverdecem,
As flores pelo campo aparecem,
O mais alto do louro abraça a hera;

Abranda o mar; menor tributo espera
Dos rios, que mais brandamente descem;
Os dias mais fermosos amanhecem;
Não para mim, que sou quem dantes era.

Espanta-me o porvir, temo o passado;
A mágoa choro de um, de outro a lembrança,
Sem ter já que esperar, nem que perder.

Mal se pode mudar tão triste estado;
Pois para bem não pode haver mudança,
E para maior mal não pode ser.

Frei Agostinho da Cruz ( 1540-1619)

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11/01/09

LER OS CLÁSSICOS - 105








"Oh minha alma, não aspires à vida imortal, mas esgota o campo do possível."

Píndaro

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02/01/09

LER CLÁSSICOS - 119




Muchacho de ojos azules
Es un joven esbelto, sobre cuya túnica
veo alzarse una luna
brillando en un cielo de perfecciones.
Ha sentenciado a nuestros corazo
nesla recta lanza de su cuerpo
donde reluce el hierro de sus ojos azules.




Rapaz de olhos azuis

É um jovem esbelto, sobre cuja túnica

Negritovejo alçar-se uma lua

brilhando num céu de perfeições.

Sentenciou nossos corações

à reta lança de seu corpo

onde reluz o ferro de seus olhos azuis.

IBN SARA as-SANTARINI, Abu Muhammad. Poemas del fuego y otras casidas.
Recopilación, edición, traducción y estudio de Teresa Garulo.
Madrid: Hiperión, 2001.

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