25/04/12

É PRECISO ACREDITAR DE NOVO E SEMPRE

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Belo e difícil este país de não
Ternura e sol de meu amor
Reino de fantasmas de navios
Dedos gigantes abarcando o mar

Ah pudesse eu agarrar no meu país

E dá-lo todo todinho a esta esperança nova


Amélia Pais 
(6.08.1969 - em reposição,porque sim)

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01/04/12

COISAS MINHAS (reposição)

Colhe a rosa
esquecida
no caminho

beija-a depois


Suave
a luz te é

reservada.



Amélia Pais

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29/04/11

(reposição)

«o tempo cobre o chão de verde manto
que já coberto foi de neve pura»

(poema completo em coisas minhas-7-22.02.2005)

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19/03/11


Nova edição de Fernando Pessoa,
O Menino da sua Mãe

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17/02/11

COISAS MINHAS - em reposição

ESPELHO

és
quem te vês
nos olhos de quem amas

esse o momento
do esplendor
e da verdade
- só teu


Amélia Pais
publ.em junho de 2005 com o nº18 de coisas minhas

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06/10/10

NOVIDADE

autores

É,naturalmente, um gosto, saber que este meu livro se encontra já editado no Brasil pela Companhia das Letras e que, assim, os jovens brasileiros terão mais fácil acesso aà obra do mais importante dos luso-brasileiros de sempre.Edição Companhia das Letras,2010

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22/11/08

COISAS MINHAS/FOTOS

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02/11/08

COISAS MINHAS /FOTOS


...E, DE REPENTE
apeteceu-me colocar estas flores...em tempo que já não é o «da frol»...
[contaram-me que, na Lapónia, os habitantes decoram o interior das casas com flores durante a longa noite de meio ano...para não esquecer que as há , mesmo que as não vejam no exterior.]

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25/04/08

HÁ 34 ANOS ERA ASSIM QUE NOS SENTÍAMOS

[Repito, emocionada, a minha Crónica nº9 de «Notícias do Antigamente»,de 25.04.05 - em nome do direito à memória e à esperança]


...e depois a festa : crónicas contra o esquecimento


Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

[Sophia Mello Breyner Andresen]


O regime começava a cair lentamente, em processo de corrosão interna que começava também a tornar-se notório aos mais atentos - e que a tentativa militar malograda do 16 de Março vinha confirmar. Uma série de acontecimentos prenunciavam a queda - a publicação do livro de Spínola PORTUGAL E O FUTURO e os acontecimentos a nível de altas chefias militares daí decorrentes, mostravam que havia descontentamento e dúvidas a tais níveis - ora tinham sido justamente os militares que, em 28 de Maio de 1926, tinham instaurado uma ditadura que levaria ao poder Salazar e o seu regime de Estado Novo. Lembro-me de em Paris, onde passava férias da Páscoa, ter estado com portugueses exilados - neles era já geral a convicção de que em breve seria possível o tal golpe militar de que se começava a falar, nomeadamente na imprensa estrangeira. E também eles perguntavam «noticias do (meu) país», não apenas ao «vento que passa » das trovas de Manuel Alegre, mas a quem vinha de Portugal - para quando a revolução? Aguardavam ansiosamente o fim do exílio forçado e doloroso.

Em 24 de Abril, à noite, ouvindo, como de costume, o programa Limite, na Rádio, surpreendeu-me ouvir ler a 1ªquadra da canção (proibida pela censura) GRÂNDOLA VILA MORENA, seguida da canção propriamente dita. Surpreendeu-me, mas estava longe de imaginar que essa era a 'senha' do golpe. Dormi normalmente até por volta das 6 horas da manhã, altura em que fui acordada por uma colega que me dava a notícia de que havia uma revolução.

Liguei de imediato a rádio e ouvi com expectativa os comunicados dum tal MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS (M.F.A.) que dizia estar em curso uma acção de libertação do nosso povo, procurando destituir o governo que há 48 anos oprimia o país. Não sabíamos, inicialmente, de que militares se tratava: - se de militares democratas, se de 'ultras' militares de extrema-direita que contestavam Marcelo Caetano, por 'brandura'. Da janela do meu quarto, assistia-se a um desfile de viaturas militares em direcção ao sul, a Lisboa.

Creio que nunca se ouviu tanto rádio como nesse dia - estávamos presos dos comunicados, das notícias, de saber o que se seguiria.à noite, no telejornal, veríamos os primeiros rostos da revolução triunfante. E nesse dia os jornais de referência, como o saudoso República, faziam sair os seus jornais com a tarjeta:ESTE NÚMERO NÃO FOI VISADO POR NENHUMA COMISSÃO DE CENSURA.

Fui para a escola tentar dar aulas 'normais' - naturalmente tarefa impossível, e se calhar nem sequer desejada. As autoridades da escola, essas, estavam fechadas no antigo gabinete do Reitor, ouvindo rádio - a ver, também, prudentemente, no que dava...-para se pronunciarem depois. Às 3 da tarde já se sabia: - o poder autoritário, de tipo fascista, tinha sido derrubado; aguardava-se a rendição de Marcelo Caetano, refugiado com os seus ministros no Quartel do Carmo, onde era a sede da fidelíssima Guarda Nacional Republicana. Essa rendição far-se-ia mais tarde, às ordens de Salgueiro Maia, o 1ºherói conhecido do golpe [fora também aluno desta nossa Escola Secundária de Francisco Rodrigues Lobo,de Leiria].


Entretanto, e por essa hora, e com a presença já das autoridades liceais (Reitor e Vice-Reitores, de nomeação governamental), fomos todos para o Ginásio, no 1ºdos muitos Plenários que se seguiriam. Houve algumas palavras do então Reitor, que afirmou que nunca tinha vivido em democracia - e por isso, também ele iria ter muito que aprender. Falaram mais professores, mais ou menos conotados com a até ali oposição democrática - e conhecidos como tal. Lembro-me da palavra de ordem mais aplaudida:- Hoje começa uma nova vida para todos nós - uma vida de liberdade. Há tudo para fazer. Por isso, não há tempo a perder. COMECEMOS DESDE JÁ A TRABALHAR!


E é essa a minha principal memória do dia - o «dia inicial inteiro e limpo » e que depois seria o 'dia da liberdade', de descompressão, de libertação, da festa - que o foi, na verdade - e viria a despoletar idênticos movimentos, na Grécia, em Espanha, no Brasil.


Nunca vi tanta gente contente. Por uns tempos as pessoas foram diferentes: sorriam abertamente umas para as outras, não se insultavam na estrada, davam mais facilmente boleias, exigiam mais justiça, mais fraternidade, mais solidariedade - e o fim da guerra e a liberdade para os povos colonizados. Aprendiam a falar abertamente, a tomar a voz em plenários, em sindicatos, em manifestações. Acreditámos piamente que estávamos a construir um mundo melhor, mais fraterno, mais justo. Empenhámo-nos a sério - acreditámos que era possível e estava a chegar o país da utopia .

Muito errámos depois e em muitas ocasiões. Fomos enganados na nossa boa fé, outras tantas. Mas nunca professores e alunos estiveram tão unidos na sua generosidade, nunca vi juntar-se tanta gente em torno do que consideravam boas causas (mesmo que, mais tarde, viessem a considerá-las não assim tão boas...).

Nem tudo correu bem, é certo. A história far-se-á desapaixonadamente um dia. Mas foi bom poder ver a libertação dos presos políticos, foi bom ter a ilusão de que podíamos reconstruir a História,- foi bom também ver mais tarde o país seguir, após os sobressaltos de 2 anos, uma vida democrática, moderna, europeia, civilizada.
Foi bom estar nas primeiras eleições livres, em 1975, como tinha sido linda a festa do 1º primeiro de maio...em 1974. FOI BOM VER A FESTA. Uma festa de todo um povo que era bom e generoso - e se muitos pecámos durante o chamado Período Revolucionário em Curso, a verdade é que o balanço final é positivo : podemos orgulhar-nos de sermos um país e um povo que soube vencer a 'austera, apagada e vil tristeza' de que já Camões falava, de recuperar direitos de cidadania longamente usurpados, de se erguer, sem complexos, face a uma Europa que finalmente nos aceitava no seu seio, como igual em dignidade e direitos.[...] Uma Europa maior porque mais livre - mesmo se albergando ainda grandes inquietações e,posteriormente,uma guerra terrível na Bósnia e noutras regiões da ex - República da Jugoslávia...
Depois de termos mostrado à Europa como era o mapa do mundo, depois de séculos de 'vil tristeza', erguíamo-nos de novo, encerrando o ciclo do império, sempre atlânticos, recuperando a grandeza [comprometida em Alcácer - Quibir] de não aceitar como fatal a infelicidade, o 'nevoeiro' de que falava Fernando Pessoa - e de podermos voltar a sonhar uma pátria mais justa e solidária.
E foi bom, também, ver nascer os países africanos de expressão portuguesa, que hoje são povos irmãos e não já inimigos.E ver libertar-se de outras ditaduras o Brasil, a Argentina e outros povos de além - mar. Competia - nos continuar o sonho, crescer mais e melhor, e, sobretudo, reparar injustiças, democratizar e desenvolver mais - visto que a missão de descolonizar, bem ou mal, foi feita. Essa é a tarefa dos políticos, é certo, mas é também a de cada um de nós.
.............................................................
E aguardemos agora, em 2008, 34 anos depois, em tempo de desencanto, que uma breve e ténue luzinha, mesmo lá bem no fundo do túnel,nos faça recuperar esses dias de encantamento e de crença no futuro .

Porque, como dizia o poeta resistente francês Paul Eluard

«La nuit n'est jamais complète.
Il y a toujours
puisque je le dis,
Puisque je l'affirme,
Au bout du chagrin, une fenêtre ouverte,
une fenêtre éclairée. »

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06/01/08

COISAS MINHAS- FOTOS -2


Leiria - encosta do Castelo em fins de Dezembro

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12/12/07

COISAS MINHAS/FOTOS


chorisia (paineira rosa)- assim se chama esta beleza

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21/06/07

PORQUE ESTÁ AÍ O VERÃO



Reponho poema antigo :

Verão


O que há de novo na tarde
Verdadeiramente tarde
Verdadeiramente terna
É este gosto novo de cantar
É esta fome absurda de verão

Amélia Pais
publ.neste barco em 31.01.2005

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02/06/07

DE AMICITIA - 57



Porque só por «amicitia» o Augusto Mota fez, de um verso meu, esta«coisa» linda.Fico-lhe grata.E também porque é tempo de papoilas.

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18/06/06

COISAS MINHAS - 22


foto de amélia pais

- Quand on est tellement triste, on aime le coucher de soleil.Un jour j'ai vu le soleil se coucher 43 fois.
- Le jour des 43 fois, tu étais donc tellement triste?

Saint-Exupéry, Le Petit Prince
[citado de cor]

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14/01/06

COISAS MINHAS - 20


foto de catedral
(http://catedral.weblog.com.pt/)


Inexorável a lua



Leve
(inexorável )
a lua

se
eleva

breve


Caminho
do infinito


Amélia Pais

________________

Nota:
Há precisamente um ano surgiu o meu «ao longe os barcos de flores». Hoje não é meu - mas nosso. Estou feliz com as visitas que tive e os amigos que encontrei a bordo. Acima, acima, gageiro/acima ao mastro real...

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11/07/05

COISAS MINHAS -19



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UNA FURTIVA LACRIMA



Desliza
suave
furtiva
uma lágrima


abre em ti
a flor
oculta
e breve

Amélia Pais



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11/06/05

COISAS MINHAS -18

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imagem de Mucha

espelho


és
quem te vês
nos olhos
de quem amas

esse o momento

do esplendor
e da verdade

- só teu


Amélia Pais

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12/05/05

COISAS MINHAS-16

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plácida a sombra atravessa o
limiar do dia
nos interstícios do olhar
a luz espreita
limpa e serena



e nos convida


Amélia Pais

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29/04/05

COISAS MINHAS - 15

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OUTONAL

Cai uma folha no poente destes dias
O que era nítido torna-se difuso
Babel renasce em cinzas de um deserto próprio
E o vento busca em vão uma harmonia

A solidão é em mim um oásis às avessas
Lutando em vão contra a miragem certa


Amélia Pais

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17/04/05

COISAS MINHAS - 14/3


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TRÍPTICO

(à maneira popular...)



III

Quem vai responder
o que não tem resposta
Quem vai falar

o que não tem palavra
Quem vai achar

o que em nós esquece
Quem vai roer

o que em nós sufoca

Vem noite ou pranto ou dia ou vento
Quem quer que sejas que seja o novo
Abrindo o canto
na carne clara.
Amélia Pais

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